Durante muito tempo, quando a ansiedade aparecia, minha primeira reação era tentar fazê-la desaparecer. Eu queria controlar os pensamentos, diminuir aquela sensação desconfortável e voltar rapidamente ao que considerava meu estado “normal”.
Mas, ao longo da minha própria jornada, comecei a fazer uma pergunta diferente:
E se, antes de tentar silenciar a ansiedade, eu procurasse compreender o que estava acontecendo dentro de mim?
Essa mudança de olhar transformou a maneira como passei a perceber minhas emoções. Não porque descobri uma fórmula para nunca mais sentir ansiedade. Mas porque comecei a entender que nossas emoções acontecem dentro de uma história. Nossa rotina, nossos pensamentos, nossos hábitos, nossos relacionamentos, nossas expectativas e até a maneira como estabelecemos limites podem fazer parte dessa história.
A ansiedade nem sempre aparece “do nada”
Quando sentimos ansiedade, é comum desejar encontrar imediatamente uma forma de interromper aquela sensação.
Respirar.
Distrair-se.
Mudar o pensamento.
Fazer alguma atividade.
Buscar alguma estratégia de relaxamento.
Essas ferramentas podem ser úteis em diferentes situações.
Mas existe uma etapa anterior que muitas vezes esquecemos:
Observar
O que estava acontecendo antes de eu me sentir assim?
Que pensamentos estavam passando pela minha cabeça?
Eu estava cansada?
Estava tentando resolver coisas demais?
Estava preocupada com algo específico?
Estava deixando alguma necessidade minha em segundo plano?
Estava tentando corresponder às expectativas de outras pessoas?
Essas perguntas não têm como objetivo transformar toda ansiedade em uma explicação simples.
Emoções são complexas e cada pessoa possui uma história diferente. Mas observar o contexto pode nos ajudar a perceber padrões. E padrões são informações importantes para quem deseja se conhecer melhor.
Quando comecei a olhar para minhas emoções
Uma das descobertas mais importantes da minha jornada foi perceber que eu não precisava enxergar minhas emoções como inimigas.
Durante muito tempo, podemos aprender a pensar:
“Não posso sentir isso.”
“Preciso ser forte.”
“Tenho que dar conta.”
“Depois eu vejo isso.”
“Não tenho tempo para ficar pensando no que estou sentindo.”
O problema é que aquilo que não olhamos conscientemente não necessariamente deixa de existir. Às vezes, continua aparecendo de outras formas: irritação, cansaço, dificuldade de desacelerar, pensamentos repetitivos, tensão ou simplesmente aquela sensação persistente de que estamos sempre tentando acompanhar a própria vida.
Por isso, comecei a trocar uma pergunta:
“Como faço para não sentir isso?”
por outra:
“O que essa experiência está me mostrando sobre mim?”
Essa mudança parece pequena, mas pode abrir uma conversa interna completamente diferente.
Emoções não são ordens
Existe, porém, um cuidado importante. Escutar uma emoção não significa obedecer a ela. Sentir medo não significa que precisamos evitar tudo. Sentir raiva não significa que devemos reagir impulsivamente. Sentir ansiedade não significa que todas as preocupações que surgem naquele momento representam a realidade.
A emoção traz uma experiência, nós podemos observá-la. Podemos tentar compreendê-la. E, depois, podemos escolher como agir.
Essa diferença é fundamental.
Sentir é uma coisa. Reagir automaticamente é outra.
Entre uma coisa e outra, existe um espaço que pode ser desenvolvido com consciência.
O que o autoconhecimento tem a ver com isso?
Para mim, autoconhecimento não significa passar o tempo inteiro analisando a própria vida, afinal não sou Psicóloga, sou Biomédica… gosto experimentar, observar e ver funcionar.
Autoconhecimento também não significa encontrar uma explicação para cada pensamento ou sentimento. É algo muito mais cotidiano.
Para mim é começar a perceber:
“Quando isso acontece, eu costumo reagir assim.”
“Quando estou sobrecarregada, abandono esse hábito.”
“Quando tenho dificuldade de dizer não, meu corpo começa a pedir uma pausa.”
“Quando estou tentando controlar tudo, minha mente acelera.”
Essas percepções podem nos ajudar a enxergar a própria rotina de outra maneira. E, a partir daí, podemos começar a experimentar mudanças possíveis.
Talvez dormir um pouco melhor.
Talvez estabelecer um limite.
Talvez reservar alguns minutos para respirar conscientemente.
Talvez reduzir estímulos.
Talvez conversar com alguém.
Talvez procurar orientação profissional quando perceber que não está conseguindo lidar sozinha.
E lembre-se, autoconhecimento não substitui cuidado profissional quando ele é necessário, mas pode ser uma forma importante de desenvolver uma relação mais consciente consigo mesma.
Da percepção à escolha
Foi justamente dessa maneira que comecei a compreender o sentido da minha metodologia Jornada Do Caos ao Reequilíbrio.
O reequilíbrio não começa necessariamente com uma grande transformação.
Às vezes começa com uma percepção.
Depois, aprendemos a ouvir.
Compreendemos melhor.
E então surge algo fundamental:
A possibilidade de escolher.
Na minha visão, essa jornada pode ser representada assim:
PERCEBER → OUVIR → COMPREENDER → ESCOLHER → TRANSFORMAR → COMPARTILHAR
Perceber o que está acontecendo.
Ouvir o que nossas emoções e experiências podem estar revelando.
Compreender nossos padrões.
Escolher respostas mais conscientes.
Transformar aquilo que está ao nosso alcance.
E compartilhar aprendizados que possam contribuir para a jornada de outras pessoas.
E entenda, não se trata de buscar uma vida sem desconfortos, isso não existe; mas trata-se de construir uma relação diferente com aquilo que vivemos.
E se você começasse simplesmente observando?
Talvez você não precise começar tentando mudar tudo. Hoje, experimente uma pequena pausa. Quando perceber uma emoção difícil, em vez de imediatamente tentar afastá-la, pergunte:
O que estou sentindo?
O que estava acontecendo antes disso?
Do que talvez eu esteja precisando neste momento?
Existe alguma coisa que venho ignorando?
Não é necessário encontrar respostas perfeitas. O exercício está justamente em começar a se escutar. Porque, às vezes, o primeiro passo para sair do caos não é encontrar imediatamente o caminho, é parar por alguns instantes e perceber onde estamos.
Uma reflexão da minha própria jornada
Quando comecei a olhar para minhas emoções de uma maneira mais consciente, percebi que a ansiedade não precisava ser apenas algo contra o qual eu deveria lutar. Ela também poderia ser um convite à observação.
Isso não significa romantizar a ansiedade, ignorar seus impactos ou acreditar que simplesmente compreender nossas emoções resolve todas as dificuldades.
Significa reconhecer que cuidar de si também envolve escutar.
E talvez seja justamente aí que começa uma relação mais consciente com o próprio corpo, as próprias emoções, os próprios hábitos e a própria vida.
O reequilíbrio não começa quando tudo está bem.
Às vezes, começa quando decidimos olhar com mais atenção para aquilo que está acontecendo.
🌿 Sou Wanessa Cardoso, Biomédica, Naturopata e Educadora em Autoconhecimento e Reequilíbrio Integral.
Sou idealizadora do método Do Caos ao Reequilíbrio, uma jornada construída a partir da percepção de que o cuidado com nós mesmas pode começar pelo ato de nos escutarmos com mais consciência.
Compartilho conteúdos para mulheres que desejam compreender melhor a si mesmas e construir uma relação mais consciente com seu corpo, suas emoções, seus hábitos e sua própria vida.
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