Quando Parei de Querer Emagrecer, Emagreci: O Que Mudou na Minha Relação com o Corpo

O que você costumava se preocupar e hoje simplesmente não liga mais? Essa pergunta parece simples, mas pode revelar o quanto mudamos ao longo da vida.

Existem preocupações que, durante determinado período, parecem enormes. Elas ocupam nossos pensamentos, influenciam nossas escolhas e, muitas vezes, determinam até mesmo a forma como nos enxergamos.

Para mim, durante muito tempo, uma dessas preocupações foi o emagrecimento.

Eu queria emagrecer, pensava em emagrecer, procurava maneiras de emagrecer. E, quanto mais o emagrecimento se tornava o foco, mais parecia que eu estava olhando para o lugar errado.

Hoje, curiosamente, uma das coisas que menos ocupa meus pensamentos é justamente emagrecer. E foi quando parei de fazer disso uma obsessão que minha relação com meu corpo começou a mudar.

E, sim: quando parei de querer emagrecer, emagreci.

Mas talvez essa frase precise de uma explicação, porque não foi mágica. Não foi porque encontrei uma dieta milagrosa, ou porque comecei a restringir ainda mais a minha alimentação. Muito pelo contrário, a mudança começou quando percebi que o meu verdadeiro objetivo nunca foi apenas perder peso.



Talvez você também não queira apenas emagrecer

Quando alguém diz: “Eu quero emagrecer”, será que emagrecer é realmente o objetivo final? Ou será que o emagrecimento representa algo maior?

Talvez você queira se sentir bem ao se olhar no espelho; talvez queira vestir uma roupa sem pensar imediatamente no que precisa esconder; talvez queira entrar em um lugar sentindo-se bonita, segura e confortável consigo mesma; talvez queira usar qualquer roupa porque gosta dela — e não porque acredita que precisa encontrar algo que esconda o seu corpo, ou é só o que serve.

Talvez queira mais disposição, mais saúde, mais energia, mais liberdade.

Talvez queira parar de brigar consigo mesma.

E talvez, no fundo, queira simplesmente se sentir bem sendo quem você é.

Percebi que, muitas vezes, colocamos uma única palavra — emagrecer — para representar uma lista enorme de desejos, mas quando concentramos toda a nossa atenção apenas no número da balança, podemos perder de vista aquilo que realmente importa.

Porque a balança não mede autoestima, não mede disposição, não mede qualidade de vida, não mede liberdade, não mede o quanto você se sente bonita, não mede o quanto você consegue aproveitar a sua própria vida. E, certamente, não mede o quanto você aprendeu a se amar.

O foco estava no lugar errado

Durante muito tempo, o emagrecimento foi apresentado para muitas mulheres como um objetivo que precisava ser perseguido constantemente. Como se estivéssemos sempre em processo de consertar alguma coisa ou que o nosso corpo fosse um projeto eterno. Como se só pudéssemos começar a viver plenamente depois de alcançar determinado peso.

Mas o que acontece quando toda a nossa energia fica concentrada naquilo que queremos mudar?

Muitas vezes, criamos uma relação de conflito com nós mesmas.

Começamos a observar cada alimento com culpa, cada mudança no corpo se transforma em motivo de preocupação. Um dia comemos de forma diferente e sentimos que “estragamos tudo”, outro dia tentamos compensar.

Depois prometemos recomeçar na segunda-feira; e, sem perceber, entramos em um ciclo:

Restrição ➡️ Culpa ➡️ Excesso de controle ➡️ Frustração ➡️ Recomeço ➡️ Mais cobrança ➡️ E novamente a sensação de que precisamos lutar contra nós mesmas.

Mas cuidar do corpo não deveria significar viver em guerra com ele.

Foi quando comecei a mudar esse foco que algo importante aconteceu.

Em vez de perguntar apenas:

“Como posso emagrecer?”

Comecei a me perguntar:

“Como posso cuidar melhor de mim?”

E essa mudança de pergunta transformou muitas outras coisas.

Hoje eu não faço dietas

Hoje, eu como de tudo. Não vivo seguindo uma dieta, pois não acredito, mais, que preciso viver em constante restrição para cuidar da minha saúde.

Mas isso não significa comer sem consciência, pelo contrário.

Hoje, procuro ter uma alimentação saudável, consciente e equilibrada.

Uma alimentação que não é punitiva, que não nasce da culpa, que não parte da ideia de que preciso castigar meu corpo por ter comido algo.

Procuro fazer escolhas porque sei que determinados alimentos me fazem bem e outros não.

Porque gosto de me sentir disposta, porque gosto de ter energia, porque compreendo que cuidar da alimentação faz parte do cuidado comigo. Mas também porque acredito que a alimentação não precisa ser uma prisão.

Existe uma diferença enorme entre fazer escolhas conscientes e viver sob constante restrição. Uma coisa é escolher algo porque você deseja cuidar de si, outra é viver com medo da comida.

Uma coisa é perceber que determinados hábitos fazem você se sentir melhor, outra é acreditar que precisa punir-se sempre que faz algo diferente.

Para mim, a mudança aconteceu quando a alimentação deixou de ser apenas uma ferramenta para emagrecer, ela passou a fazer parte do meu bem-estar.

Alimentação saudável não precisa ser sinônimo de punição

Por muito tempo, muitas pessoas aprenderam a associar saúde à privação; como se uma alimentação saudável precisasse ser triste, restritiva, monótona. Como se cuidar de si significasse abrir mão de qualquer prazer.

Mas acredito que uma relação saudável com a alimentação precisa considerar algo fundamental: a vida precisa ser vivida. Existem momentos, celebrações, viagens, encontros e até comidas que fazem parte da nossa história e da nossa cultura, que devem ser apreciadas e aproveitas com prazer e não culpa.

Acredito que o equilíbrio não está em tentar controlar absolutamente tudo, está em desenvolver consciência.

É perceber o que funciona para você; é compreender os seus hábitos; é aprender a observar o próprio corpo; é fazer escolhas com mais presença e menos culpa.

A alimentação consciente, para mim, não significa perfeição, significa conexão, significa respeitar meu corpo. Significa parar, aos poucos, de viver no automático.

Perguntar:

Estou com fome mesmo? O que meu corpo precisa neste momento? Estou comendo porque quero ou porque estou tentando aliviar alguma emoção? Como determinados alimentos fazem meu corpo se sentir?

Essas perguntas podem ser muito mais transformadoras do que simplesmente seguir mais uma lista de alimentos permitidos e proibidos.

Eu queria emagrecer, mas o que eu realmente queria?

“Talvez você, assim como eu, não queira emagrecer. Talvez queira apenas se sentir livre para viver bem dentro da sua própria vida.”

Hoje, olhando para trás, percebo que o emagrecimento carregava muitos outros desejos.

Eu queria me sentir bonita.

Queria gostar mais da minha imagem.

Queria usar roupas sem me preocupar tanto.

Queria entrar em um ambiente e sentir confiança.

Queria me olhar com mais carinho.

Queria saúde.

Queria bem-estar.

E, talvez, acima de tudo, queria sentir que estava bem comigo mesma.

Perceber isso foi importante porque comecei a entender que nenhum número poderia, sozinho, entregar tudo isso.

É possível emagrecer e continuar insegura.

É possível atingir determinado objetivo e continuar não gostando do próprio corpo.

É possível vestir uma roupa menor e ainda assim sentir que nunca é suficiente.

Porque, quando o problema está apenas sendo observado externamente, talvez continuemos procurando soluções externas para questões que também precisam ser compreendidas internamente.

Por isso, acredito que cuidar da saúde também envolve olhar para a relação que construímos com nós mesmas.

E se o próximo cuidado for com você?

Cuidar de si não precisa ser mais uma obrigação na sua lista.

Às vezes, o primeiro passo é simplesmente parar, respirar e perceber como você tem se tratado.

Perceber o que seu corpo está dizendo. Reconhecer o que você sente. Rever hábitos, pensamentos e escolhas que talvez já não façam sentido para a mulher que você é hoje.

Foi a partir desse olhar que nasceu o meu trabalho com bem-estar, autocuidado e autoconhecimento.

Por meio de experiências, práticas e técnicas naturais, meu propósito é ajudar você a criar um espaço de pausa e consciência em meio à rotina — para se reconectar consigo mesma e encontrar caminhos mais leves para cuidar do seu bem-estar.

Conheça minhas experiências de bem-estar e descubra um caminho para desenvolver mais consciência, equilíbrio e conexão consigo mesma.


Comments

2 respostas a “Quando Parei de Querer Emagrecer, Emagreci: O Que Mudou na Minha Relação com o Corpo”

  1. Estou aprendendo a fazer isso, antes quando eu parava para descansar me sentia culpada pois achava que não estava produzindo.Hoje entendo que para produzir melhor preciso de uma pausa.

    1. Parabéns… Te entendo! Aprendemos que tinhamos que produzir e parar era quase um absurdo… Hoje vejo o quanto estava me machucando. Seguimos juntas🤗

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