Outro dia, lendo os artigos de meus colegas aqui no WordPress, me deparei com uma pergunta curiosa:
“O que você ama agora, que odiava quando era mais jovem?”
Minha resposta veio quase instantaneamente: a ideia de morar em uma casinha no interior, cercada de plantas, silêncio e tranquilidade.
Se alguém tivesse me dito isso quando eu tinha 17 ou 18 anos, eu provavelmente teria dado risada.
Naquela época, eu acreditava que a felicidade estava na agitação da cidade grande. Eu amava a cidade de São Paulo. Ou melhor, amava a ideia do que São Paulo representava para mim: oportunidades, movimento, novidades, acesso a tudo.
Lembro que, na época do vestibular, eu me recusava a prestar provas para faculdades em outras cidades. Não importava o curso ou a instituição. Eu não queria sair da capital de jeito nenhum.
Na minha mente, viver longe da correria significava perder oportunidades. O interior parecia sinônimo de monotonia. Eu não conseguia imaginar uma vida sem trânsito, sem movimento e sem a sensação de que algo importante estava acontecendo o tempo todo.
Hoje, olhando para trás, percebo como nós mudamos.
E não estou falando apenas da idade.
Estou falando das experiências que acumulamos, das dores que enfrentamos, das prioridades que se transformam e das descobertas que fazemos sobre nós mesmos.
Com o passar dos anos, comecei a perceber algo curioso: aquilo que antes me dava energia passou a me cansar.
O excesso de estímulos, o barulho constante, a sensação de estar sempre correndo contra o relógio deixaram de parecer tão atraentes.
Em contrapartida, comecei a valorizar coisas que antes passavam despercebidas.
O canto dos pássaros pela manhã.
O cheiro da terra depois da chuva.
O prazer de cultivar uma planta.
O silêncio.
A possibilidade de olhar para o céu e realmente enxergá-lo.
A tranquilidade de uma rotina mais simples.
Talvez isso aconteça porque, quando somos jovens, estamos construindo nossa identidade. Queremos explorar, conquistar, experimentar. Existe uma necessidade natural de movimento e expansão.
Com o tempo, porém, começamos a entender que qualidade de vida não é apenas ter acesso a muitas coisas.
Às vezes, qualidade de vida é justamente precisar de menos.
É encontrar beleza no simples.
É descobrir que paz também pode ser uma conquista.
Não acredito que a pessoa que eu era estava errada.
Ela apenas tinha necessidades diferentes das que tenho hoje.
E talvez essa seja uma das maiores lições da vida: permitir-se mudar.
Muitas vezes nos apegamos a versões antigas de nós mesmos. Continuamos defendendo gostos, sonhos e objetivos que já não fazem sentido, apenas porque um dia fizeram.
Mas crescer também significa revisar nossas escolhas.
Significa reconhecer que aquilo que nos encantava aos 20 anos pode não ser o que nos faz felizes aos 40, 50 ou 60.
E está tudo bem.
Na verdade, é saudável.
Talvez a pergunta mais importante não seja o que você amava ou odiava no passado.
Talvez a pergunta seja:
Quem você está se permitindo ser hoje?
Porque a vida muda.
Nós mudamos.
E, às vezes, a maior prova de maturidade é aceitar que aquilo que um dia parecia impensável se tornou exatamente o que nosso coração procura.
E você?
O que você ama hoje que jamais imaginou amar quando era mais jovem?


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