Dores nas costas, peso nas pernas, ombros tensos, dores de cabeça, constipação, insônia, desconforto estomacal, dor de ouvido, garganta irritada… A lista de sintomas pode ser longa. Você reconhece algum desses sintomas em si mesmo? Talvez até vários deles?
O que talvez você não saiba é que esses desconfortos são formas que o seu corpo utiliza para comunicar que algo está errado. Surpreendentemente simples, não é? No entanto, muitas vezes ignoramos esses sinais, buscamos ajuda médica sem sucesso ou simplesmente nos acostumamos com a dor, como se ela fosse parte de quem somos.
Compreender o que esses sintomas estão tentando nos dizer é fundamental para eliminá-los. Ao reconhecê-los precocemente, podemos evitar que se agravem.
Esse é o cerne da psicossomática, um tema que ressoa profundamente comigo em minha jornada como Biomédica Naturopata, pois acredito firmemente que compreender “o porquê” torna tudo mais acessível e eficaz.
Mas o que é psicossomática?
O conceito de Psicossomática remonta ao psiquiatra alemão Heinroth, em 1808, com o termo cunhado posteriormente em expressões como psicossomática (1918) e somatopsíquica (1928) (Mello Filho, 1992).
O termo Psicossomático, derivado de “psique” (mente) e “soma” (corpo), refere-se, em sua expressão mais comum, à origem psicológica de uma condição física específica, bem como às emoções desencadeadas pela doença no indivíduo. Contudo, pode ser erroneamente associado à simulação e hipocondria, carregando um sentido negativo (Cardoso, 1995, p.5).
É importante ressaltar que toda doença humana é, em essência, psicossomática, uma vez que ocorre em um ser humano onde mente e corpo são inseparáveis anatômica e funcionalmente. No entanto, a medicina contemporânea, com sua abordagem biológica fragmentada, muitas vezes trata a doença de forma isolada, não considerando o indivíduo como um todo, ao contrário das abordagens terapêuticas holísticas e da Medicina Tradicional Chinesa. Isso evidencia uma lacuna na forma como a medicina é praticada e ensinada, priorizando o tratamento da doença em detrimento do cuidado com o indivíduo como um ser biológico, psicológico e social (Cardoso, 1995, p.5).
Não pretendo aprofundar neste tema aqui, mas sim destacar a importância de compreender que a doença vai além de sua manifestação física. É crucial investigar as causas subjacentes dos sintomas físicos para determinar a abordagem terapêutica mais adequada.
E continuando neste contexto, o que significa dor Psicossomática?
Dor psicossomática é uma resposta complexa do corpo às emoções e situações que enfrentamos diariamente. Essas experiências desencadeiam respostas no Sistema Nervoso Autônomo, que por sua vez ativam o Sistema Endócrino. Se não controladas, essas respostas podem levar o corpo a um desequilíbrio.
Quando uma pessoa é incapaz de expressar verbalmente seus sentimentos, pensamentos e emoções, seu corpo reage a essa repressão e pode manifestar doenças. Essas alterações são mensuráveis em exames laboratoriais, indicando danos físicos reais com origem psicológica.
É importante ressaltar que cada indivíduo vivencia os desafios de forma única, e por isso o tratamento deve ser personalizado.
A profundidade desse tema é evidente durante a avaliação, onde até mesmo o lado do corpo onde a dor se manifesta pode fornecer insights significativos. Segundo o livro “Diga-me onde dói que te direi por quê!” de Michael Odoul, alterações no lado esquerdo do corpo estão relacionadas a aspectos Yang, simbolizando o masculino, enquanto as alterações no lado direito estão ligadas a aspectos Yin, representando o feminino. Essas associações incluem relações familiares, características cerebrais, e interações sociais e culturais.
Para uma compreensão mais aprofundada, abordarei três dores bastante comuns entre aqueles que buscam minha ajuda: enxaqueca, dor nos ombros e dor no nervo ciático.
- Enxaqueca
A enxaqueca é frequentemente expressa com frases como “minha cabeça está cheia”, “não consigo parar de pensar” ou “fico remoendo o passado”. Essas afirmações refletem a dificuldade em lidar com pensamentos, ideias ou sentimentos que causam desconforto ou constrangimento.
O estresse cotidiano, a frustração, a indignação, o hábito de reviver situações passadas ou a supressão de ideias “indesejáveis”, bem como constrangimentos anteriores, podem desencadear enxaquecas. Geralmente, o indivíduo experimenta uma variedade de sentimentos negativos em relação a diversas situações.
Quando a dor se concentra nas laterais da cabeça, indo da nuca em direção às têmporas ou aos olhos, indica uma tensão de natureza emocional, muitas vezes relacionada ao ambiente familiar ou íntimo. Já quando a dor é frontal, geralmente está ligada à resistência a certos pensamentos, teimosia em relação a ideias preconcebidas, e está associada ao ambiente profissional ou social, refletindo as expectativas externas em relação a nós mesmos.
2. Dor nos ombros
A dor nos ombros é aquela sensação que se estende da nuca até o início do braço, muitas vezes associada ao músculo trapézio. É uma dor que nem sempre tem uma explicação óbvia, pois você pode cuidar da sua postura e não estar carregando pesos físicos. É como se alguém dissesse: “Você está carregando o mundo nas costas!”, e essa frase não poderia ser mais precisa. Segundo a psicossomática, a dor nos ombros está relacionada à tendência de assumir responsabilidades excessivas, tanto para si mesmo quanto para os outros.
Aqueles que frequentemente experimentam essa dor tendem a assumir mais do que lhes cabe, sentindo-se responsáveis pela vida alheia. Também é comum em pessoas que têm dificuldade em delegar tarefas, pois têm medo de fracassar ou simplesmente preferem fazer tudo sozinhas.
Além disso, essa dor está ligada à dificuldade de agir. Quando se trata de realizar nossos desejos mais profundos de ação em relação a algo ou alguém, isso pode se refletir diretamente nos ombros. Parece que estamos sendo contidos em relação aos nossos desejos de agir, especialmente quando se trata de decidir “como faremos”. Nesses casos, sentimos uma espécie de “freio”, não por falta de capacidade, mas devido à falta de ajuda ou à oposição das pessoas ao nosso redor. Como resultado, as energias não conseguem fluir pelos braços e se acumulam nos ombros. Aqueles que pensam muito e agem pouco geralmente experimentam intensamente essa dor.
3. Dor Ciática
A dor ciática, caracterizada por uma sensação de beliscão na parte de trás das pernas ou no bumbum, é conhecida por dificultar a caminhada, o sentar e até mesmo virar na cama ao deitar. Originada na região lombar e sacral das costas, essa dor percorre as nádegas e estende-se ao longo das laterais das pernas até alcançar a parte inferior delas e os pés.
Essa dor está relacionada à nossa dificuldade em transformar pensamentos, desejos ou vontades em ações concretas. Um exemplo clássico é a paralisia ciática, que bloqueia completamente o nervo ciático, impedindo a mobilidade e até mesmo a capacidade de ficar em pé.
Ela também está ligada à nossa resistência em abandonar antigos preceitos ou hábitos diante das mudanças na vida. Reflete as tensões causadas pela dificuldade em deixar para trás crenças ou hábitos antigos, a maneira como equilibramos nossa vida e os confortos materiais ou emocionais aos quais nos apegamos.
Metafisicamente, essa dor revela o abalo emocional causado por eventos adversos, especialmente no âmbito familiar ou profissional. Esses problemas absorvem tanto a pessoa que ela acaba tendo dificuldade em se dedicar a outras atividades e até mesmo em manter perspectivas futuras positivas, tornando o processo de recuperação e alívio dos sintomas mais desafiador.
É importante destacar que todas essas doenças mencionadas neste artigo, quando não tratadas, podem levar a outras condições bem conhecidas, como ansiedade, insônia, depressão, pânico, entre outras. Um problema pode desencadear outro, criando um ciclo prejudicial.
Como tratar essas dores pela visão do todo?
Tratar a dor psicossomática envolve a aplicação de diversas técnicas. O primeiro passo é identificar o problema, o que nem sempre é simples. No entanto, como mencionado anteriormente, certos indicadores nos guiam na direção certa. É importante entender que nem sempre é possível abordar todos os aspectos de uma vez, mas gradualmente os problemas podem ser identificados e tratados.
Existem várias técnicas disponíveis, como Florais de Bach, Aromaterapia, Reflexologia, Cristaloterapia e Reiki, que visam principalmente trocar energias e vibrações, substituindo sentimentos negativos por positivos e reequilibrando chakras. Essas abordagens podem lidar com questões profundas, como traumas, medos e angústias.
Já técnicas como Auriculoterapia, Reflexologia Podal, Cromoterapia e Ventosaterapia, focam em fazer com que a energia circule novamente, já que sua estagnação pode causar dor também.
É importante notar que o mundo das terapias naturais é vasto e complexo, e estou fornecendo apenas alguns exemplos breves aqui. Cada uma dessas técnicas possui benefícios específicos, e poderíamos passar horas discutindo sobre eles, o que deixaremos para futuros artigos.
Até a próxima!


Deixe um comentário